vamitar
Vomitar, é preciso vomitar os escombros desse desastre!!! Com isso em mim a estrada fica estreita, a cama não comporta o peso de minha alma e não consigo ouvir a voz de minha razão, voz que morre sufocada entre os gritos de meus impulsos mais desprezíveis.
Por vezes eu penso que não é possível que eu traga isso em mim,que não é possível que isso seja parte de minha pessoa, que toda essa enxurrada de imagens repugnantes tenham nascido da mesma matéria prima que forma as minhas mais elevadas virtudes. Mas de fato, “isso” também sou eu!
Minha ilusão de que eu poderia ser uma “boa pessoa”, um ser reto, ruiu ante o inusitado pedido, proferido no momento fugaz da unidade da carne de dois corpos, efeito do atrito ininterrupto de duas almas. Aquela figura idílica rogara em principio num sussurro quase incompreensível e logo em seguida aos berros:
- me bate, me bate na cara!
Mas isso não! Nunca nem sequer imaginara tal gesto. Não acreditava que isso morasse em mim. Mas o grito continuava:
- Vai! Um tapa só, aqui na minha cara!
E transbordando uma infinidade de sentimentos, principalmente vergonha eu me lancei ao desconhecido num tapa tímido e provavelmente indolor, quase infantil e com certeza ridículo. Mas a repreensão me ensandeceu!
- isso é o seu tapa, eu te recebo dentro de mim e só te peço que sejas sincero pois que esse teatro hipócrita é de onde eu venho em fuga, em busca de um pouco de vida. Agora me bata, com a alma, vai me bata com a sua verdade! Um tapa na cara dessa mentira linda sob a qual me escondo! Esse rosto merece, e você deve, você me deve! Um tapa! Ah, Um tapa! Vai!
E como se eu me parisse, como se sofresse as dores do parto e chorasse indefeso como o filho que sai de dentro de si, eu via nascer o movimento e sabia que no fim do arco que minha mão descrevia no ar eu encontraria muito mais do que um rosto, muito mais do que o choque entre dois corpos, muito mais que um tapa, e o que é pior, eu sabia sem o saber. Nunca havia batido em ninguém, e de repente uma explosão de confusos sentimentos. Que excitação era essa? De onde vinha esse prazer?
Minha mão que já experimentara toda sorte de carícias, latejava de vergonha, ou de tesão. Já não podia distinguir sutilezas, elas ficariam decididamente fora dos próximos segundos. Lentamente eu retomava o controle e voltava a reconhecer-me quando um impulso incontrolável me arrebatou e nascido dentro de minha alma, outro tapa, muito mais forte foi morrer na face oposta à que sofrera o primeiro golpe. Sofrera não! Nada daquilo atingia dolorosamente minha algoz, e cada tapa me dilacerava de prazer, de culpa, de dor. Cada tapa me empurrava pro abismo, pro escuro, pra dentro de mim. E ela gozava, não sei se pela excitação da luta ou se por entrever em meus olhos a angustia e o medo que aquele momento me causavam.
Mas ainda faltava o golpe final e ela foi magistral!
Depois dessa avalanche, os escombros e a terra que me cobriam impedindo-me de respirar, não eram feitos de arrependimento ou remorso, mas de matéria prima muito mais densa e alheia a virtudes. Eu estava tomado pela curiosidade.Se bater havia me transformado nisso, eu precisava descobrir quem eu seria ao apanhar, talvez fosse minha redenção ou no mínimo mais um prazer desconhecido.O que eu não imaginara é que ela tinha outros planos pra esse momento e quando lhe pedi pra que me batesse, ouvi um rápido, cortante e impiedoso não. Como já me aproximava do ápice eu me ative a essa rota de fuga, mas ela também me fechou essa porta abandonando-me bruscamente e privando-me do único lugar onde minha existência ainda fazia algum sentido: dentro dela. Morta a minha essência anterior, despido dos pudores que me protegiam das verdades mais insuportáveis e encarcerado junto a esse estranho eu recém nascido, ainda guardo esse gozo que não foi, esse gozo que me dói e que não sai de dentro de mim.
Por vezes eu penso que não é possível que eu traga isso em mim,que não é possível que isso seja parte de minha pessoa, que toda essa enxurrada de imagens repugnantes tenham nascido da mesma matéria prima que forma as minhas mais elevadas virtudes. Mas de fato, “isso” também sou eu!
Minha ilusão de que eu poderia ser uma “boa pessoa”, um ser reto, ruiu ante o inusitado pedido, proferido no momento fugaz da unidade da carne de dois corpos, efeito do atrito ininterrupto de duas almas. Aquela figura idílica rogara em principio num sussurro quase incompreensível e logo em seguida aos berros:
- me bate, me bate na cara!
Mas isso não! Nunca nem sequer imaginara tal gesto. Não acreditava que isso morasse em mim. Mas o grito continuava:
- Vai! Um tapa só, aqui na minha cara!
E transbordando uma infinidade de sentimentos, principalmente vergonha eu me lancei ao desconhecido num tapa tímido e provavelmente indolor, quase infantil e com certeza ridículo. Mas a repreensão me ensandeceu!
- isso é o seu tapa, eu te recebo dentro de mim e só te peço que sejas sincero pois que esse teatro hipócrita é de onde eu venho em fuga, em busca de um pouco de vida. Agora me bata, com a alma, vai me bata com a sua verdade! Um tapa na cara dessa mentira linda sob a qual me escondo! Esse rosto merece, e você deve, você me deve! Um tapa! Ah, Um tapa! Vai!
E como se eu me parisse, como se sofresse as dores do parto e chorasse indefeso como o filho que sai de dentro de si, eu via nascer o movimento e sabia que no fim do arco que minha mão descrevia no ar eu encontraria muito mais do que um rosto, muito mais do que o choque entre dois corpos, muito mais que um tapa, e o que é pior, eu sabia sem o saber. Nunca havia batido em ninguém, e de repente uma explosão de confusos sentimentos. Que excitação era essa? De onde vinha esse prazer?
Minha mão que já experimentara toda sorte de carícias, latejava de vergonha, ou de tesão. Já não podia distinguir sutilezas, elas ficariam decididamente fora dos próximos segundos. Lentamente eu retomava o controle e voltava a reconhecer-me quando um impulso incontrolável me arrebatou e nascido dentro de minha alma, outro tapa, muito mais forte foi morrer na face oposta à que sofrera o primeiro golpe. Sofrera não! Nada daquilo atingia dolorosamente minha algoz, e cada tapa me dilacerava de prazer, de culpa, de dor. Cada tapa me empurrava pro abismo, pro escuro, pra dentro de mim. E ela gozava, não sei se pela excitação da luta ou se por entrever em meus olhos a angustia e o medo que aquele momento me causavam.
Mas ainda faltava o golpe final e ela foi magistral!
Depois dessa avalanche, os escombros e a terra que me cobriam impedindo-me de respirar, não eram feitos de arrependimento ou remorso, mas de matéria prima muito mais densa e alheia a virtudes. Eu estava tomado pela curiosidade.Se bater havia me transformado nisso, eu precisava descobrir quem eu seria ao apanhar, talvez fosse minha redenção ou no mínimo mais um prazer desconhecido.O que eu não imaginara é que ela tinha outros planos pra esse momento e quando lhe pedi pra que me batesse, ouvi um rápido, cortante e impiedoso não. Como já me aproximava do ápice eu me ative a essa rota de fuga, mas ela também me fechou essa porta abandonando-me bruscamente e privando-me do único lugar onde minha existência ainda fazia algum sentido: dentro dela. Morta a minha essência anterior, despido dos pudores que me protegiam das verdades mais insuportáveis e encarcerado junto a esse estranho eu recém nascido, ainda guardo esse gozo que não foi, esse gozo que me dói e que não sai de dentro de mim.
